Montanha-russa

Por Portal Opinião Pública 03/08/2023 - 12:42 hs
Foto: Divulgação

Carlo Enrico Pierro

carloenrico.com.br

hoje em dia as pessoas não sabem mais se as coisas que elas fazem são para elas mesmas ou para os outros. é um pelo que você apara, disfarça a maneira escandalosa de espirrar, vai todo dia à academia, e vai se refazendo e se modelando, sem nem ao menos ter a ideia exata de que é isso mesmo que você quer pra tua vida. a gente vai tentando se enquadrar nos padrões que alguém decidiu que era o correto. repara na arte como o corpo mudou ao longo dos anos. o tempo vai mudando as perspectivas e as realidades. primeiro descobre-se que a atividade física é um modo saudável de vida e que o bacon vai te matar. passado um tempo, descobre-se que excesso de atividade física pode fazer mais mal do que o bacon. a vida vai assim, cíclica, e a gente nem percebe o que acontece. daí você quer ter aquele corpo padrão, refeição padrão, vida padrão. e sabe o que sobra? mais um. nem melhor, nem pior e talvez nem mais saudável do que ninguém. onde foi parar o equilíbrio? aquele equilíbrio gostoso entre você fazer a atividade física e aquele x-bacon no balcão da padaria.

a vida é feita de altos e baixos. uma hora você está lá em cima, no topo da montanha-russa. você foi subindo devagar, praticamente puxado, e quando chega no topo a coisa vai devagar, então vem a descida, violenta e rápida. você cai sem nem saber aonde chegará. você tem a certeza de que vai abrir um buraco no chão e, às vezes, abre mesmo, e você desce até achar que não tem mais como, daí vem a curva pra esquerda, depois pra direita, você sobe um pouco, vai reto, desce e quando vê, olha só, está subindo de novo! a vida é uma montanha-russa. o problema é que a gente está esquecendo quem pilota ela. nós mesmos. e fica difícil saber até onde estamos nessa montanha-russa por escolha ou por termos sido violentamente empurrados. e não importa se foi a sociedade ou alguém. estamos cada vez mais perdidos dentro de nós mesmos, procurando “estar” tantas coisas que até esquecemos do que é ser.